Goste você ou não, negando ou não, ignorando ou mantendo-se alerta aos protocolos de segurança, a pandemia da COVID-19 existe e veio pra ficar. E o universo running sofreu com ela, hein?

Corridas canceladas, treinos suspensos. Até o comércio, nosso descanso mental em um universo capitalista, tornou-se ausente. Coisas que a pandemia nos trouxe. O calendário ficou tão vazio que parecia que nunca mais a gente ia se inscrever em uma corrida.

O mundo parou quando os atletas queriam continuar. Alguns em seu auge, outros prontos para alcançar um RP. Muitos com inscrições já pagas e planos quase concretizados. As vezes na porta mesmo, como o cancelamento da Maratona das Praias de nossa querida Acorja menos de 8 horas antes da largada. Foi um baque daqueles, hein? Um chute no joelho quando estamos de pé, de costas, bem distraídos.

Triste? Sim, mas é preciso tirar lição de tudo. É assim que o homem evolui. Ou você acha que o computador foi criado de uma única vez e quem inventou a moda acertou de primeira? Tudo é evolução, passo a passo.

E teve coisa boa na pandemia?

Somando tantas mortes de Covid-19 no Brasil (acima de 190 mil quando essa humilde corredora amadora vos escreve), nunca poderemos dizer “que coisa boa essa pandemia”. Seria um erro e desrespeito com os mortos e sequelados desse vírus que de ‘gripezinha’ não tem nada. Contudo, podemos aprender com ela.

O aprendizado para o universo running pode ser gigante e pode-se tirar muito proveito da situação. Em alguns casos, houve mais tempo de treino de força e o aprendizado para toda a vida sobre exercícios em um espaço pequeno da varanda ou da sala de estar. Alguns saíram da quarentena mais focados sem muitos colegas interferindo no treino.

Outros se entregaram total à mazela, sabemos. Tudo bem, coisas da pandemia mesmo.

Mas tem algo que a pandemia nos mostrou que muitos não se ligaram: é preciso se reinventar. ‘Quem fica parado é poste’, é assim o nosso ditado popular. E foi pensando nisso (e no ganha pão, claro!) que professores criaram um sistema de aulas online com benefício para quem não tinha tempo para a academia e aproveitou o gancho.

Teve gente que aprendeu a treinar sozinho e aproveitou melhor o tempo. Alguns entenderam a importância do treino de base e usaram o período para reeducar a passada e buscar conhecimento extra em vídeos, sites e livros. De alguma forma, muita gente se mexeu e arrastou outro na mesma sintonia: melhorar a imunidade para combater a COVID-19 (ou apenas não engordar mesmo na quarentena).

Sem provas, os atletas ganharam um domingo a mais de treino ou um dia extra de descanso. Os treinadores contaram com mais tempo para preparar seus atletas e eles estavam mais descansados. Para alguns a mudança foi grande, viu! Teve até ‘desafio da prancha’ com apresentador de programa esportivo pagando também!

E depois da pandemia, como fica?

Tudo volta ao normal, como toda epidemia brasileira. Já tivemos surto de várias doenças infecto- contagiosas e aprendemos a lidar com elas. Talvez nada tão intenso com lockdown, máscaras ou banho de álcool em gel. Nada assim aconteceu em terras brasileiras antes, mas vamos passar.

Os treinos vão voltar ao normal e os eventos em grupos vão só ser encontros mesmo, não precisam ter o nome “corrida virtual” por trás. Serão simples encontros.

Contudo, o sentimento será outro. O ano de 2021, ao que tudo indica, será de vacina e pós pandemia, com controle e volta de nossas atividades queridas. Os eventos voltarão, as tendas de grupos e grandes abraços pré e pós percurso. Mas tudo terá um ar diferente.

Tudo é uma questão de escolha

A gente pode tirar qualquer lição de qualquer coisa, boa ou ruim. Pode ver a pandemia como um grande hiato nos treinos que estragou tudo ou um período sabático para refletir mais sobre o “eu atleta”.

Pode pensar no quão foi ruim ficar longe dos amigos corredores ou, com bons olhos, refletir no quão é importante seu grupo de corrida, ter seus amigos do funcional ou do cross fit. Pode até mesmo (para os mais resistentes) admitir que sente saudades da academia e não quer tirá-la da rotina porque ela te motiva.

O 2020 foi um ano complicado, diferente. De muitas perdas com certeza, seja de pessoas, da economia ou da saúde, por exemplo. Contudo, se você chegou sem COVID-19, assintomático ou passou por uma barra para superar, então você ganhou uma medalha. A medalha da vida, que não tem classificação e nem tão pouco divulgação do tempo líquido mas ainda é um privilégio tê-la. Lembre que você passou por ela e o universo running continua, firme e forte.

A corrida se transforma e se adapta a qualquer doença, qualquer problema. E as lições ficam. Basta agora aproveitá-las.

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