O calendário vazio e o lembrete de “evento cancelado” do PE Running com certeza deixou alguns corredores frustrados. Talvez até deprimidos com saudades das provas. Contudo, ao longo dos meses e consolidação do fato que realmente estávamos em um momento sério de calamidade na saúde pública no mundo, surgiram alternativas. Estamos falando das corridas clandestinas.

Lá no podcast Papo Corrida já falamos sobre o assunto no episódio de Corridas Clandestinas. São eventos sem autorização da Federação Pernambucana de Atletismo (FEPA), mas que contam com tudo o que uma corrida oficial tem a oferecer. Há largada, chegada, hidratação, camiseta, medalha e fotos. São eventos de corrida mesmo!

A oportunidade de um novo nicho de mercado

As corridas menores, os pequenos “empresários” do setor sempre existiram mas passavam por, de fato, uma concorrência desleal. Eles concorriam com eventos grandes do setor, um calendário praticamente fechado e lotado desde dezembro do ano anterior. Tem corrida com data reservada com 12 meses de antecipação.

Com o cancelamento das corridas oficiais os ‘pequenos produtores’ conseguiram uma oportunidade. Eram os únicos a ousar fazer um evento. Os únicos a poder fornecer o que o corredor, em seu ócio de eventos, estava querendo. Foi a chance!

E de repente, de agosto em diante, os pequenos organizadores de eventos começaram a fazer muitos, muitos eventos. Não estamos apontando os desafios virtuais, estes você corre em casa. Estamos falando com eventos presenciais de 50, 100, 200 e até mais 300 inscritos partindo de diferentes cidades de Pernambuco. Com portais, medalhas, largada e chegada e tudo o que uma corrida de rua oficial pode oferecer.

As inscrições ficaram mais baratas, um incentivo a mais para quem quer participar. O kit mais caro de uma corrida clandestina no Recife ficou em R$ 70, um valor agradável em comparação a um kit de R$ 129 do Circuito das Estações, por exemplo. Contudo, sem permissão para acontecer e indo de encontro aos decretos estaduais de não permitir nenhuma aglomeração e nenhum evento esportivo.

E como fica a responsabilidade?

Existe o livre arbítrio sempre. Vai quem quer para um evento, sai de casa quem deseja. Contudo, não podemos deixar de refletir sobre um ponto: se os eventos oficiais foram cancelados por risco de contágio, por que os não oficiais podem acontecer?

Na verdade não podem. Seria algo como “clandestinidade nível 2” porque eles não podem acontecer sem autorização da FEPA e também não podem acontecer porque não estão permitidos por Decreto Estadual do Governo do Estado de Pernambuco.

Há vários argumentos a favor de tais eventos, eu sei. “Pegar ônibus é pior”, “me arrisco todo dia para comprar pão no mercado” em uma lista infinita que deixaria esse artigo gigantesco. Contudo, existe um movimento sério acontecendo burlando as regras sociais e colocando pessoas em risco. É preciso refletir a respeito.

Se os eventos oficiais não podem acontecer, este é um sinal claro que os menores também podem e devem ser repensados. Organizar uma corrida de rua para 300 pessoas diante de um aumento de casos da pandemia é algo a se refletir e ter cautela. Afinal, somos seres pensantes e vivemos em um mudo de regras para serem cumpridas.

Concluindo…

Ter corrida de rua é legal? Sim, com certeza! Eventos clandestinos são bacanas? Sim, com certeza. Contudo, a aglomeração tão prezada por cientistas e especialistas neste momento está sendo ignorada visando o lucro.

Eles estão deixando os corredores mais felizes? Sim, com certeza. Abstinência de evento é algo que a gente sente e é fato. Mas se não pode por decreto, por que fazer ignorando? É preciso pensar sempre, bater papo sobre o assunto e refletir se vale a aglomerar em um momento e de saúde pública tão delicado. Afinal, estamos acima dos 195 mil mortos no Brasil por COVID-19.

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