A escritora não é uma super atleta e contará seus feitos para preencher uma estante com troféus e medalhas. Na verdade não possui nenhum troféu em pódio geral. Tão pouco possui uma longa jornada de superação após superação de doenças para chegar nas pistas. Nem se quer teve um filho para lamentar por ele e buscar consolo no tênis.

Sou apenas uma corredora como mais de 5 milhões no Brasil calçando o tênis para suar. Mais uma mulher pagando para correr em via pública só porque a medalha é linda e o kit finisher “está ‘fofo” (quem nunca, não é mesmo?). Mesmo usando camisas de corrida até como camisolas compramos mais uma e achamos um máximo a expectativa de ir buscar, usar camisa nova e postar nas redes sociais.

Na verdade se não fosse a insistência do meu personal na época jamais teria chegado na pista. Depois de dois meses de aulas privadas em mais uma tentativa chata de perder peso contratei um personal trainer. Isso não antes de tentar natação, ginástica, funcional, shakes e até me tornar sócia da Herbalife para comprar produtos mais baratos. Loucura? Desespero!

A vontade de voltar a ser magra era tão grande que se tivessem me contando que comer areia de construção gera perda de peso provavelmente teria comido. Afinal, uma jovem aos 24 anos com 57 quilos chegar aos 32 com 92 kg não é nada fácil de encarar como reflexo de espelho.

O caminho das trevas até a luz

O meu período de chás e shakes emagrecedores chamo de “era das trevas” ou “dark side”. Foram tantas misturas com leites que me sentia uma idiota completa buscando melhores preços e diferentes formas de fazer o pó mágico para perder peso.

Um dia bateu o estalo mental: perder pelo com exercício físico era possível. Começa então a “era Arnold Schwarzenegger”. Vieram treinos, livros, vídeos… a parte boa foi aprender a nadar mesmo em idade avançada. Valia a pena ser magra? Para mim valia.

Ai veio a era personal. Se sozinha eu não conseguia e shakes custam caro, vamos trocar os gastos dos shakes por um professor?

Dois meses depois de suor e lágrimas na academia veio o convite para correr na rua. Sair da esteira. Ganhar o mundo. ‘Borboletar’ na rua. Sair do casulo.

O primeiro treino na rua

Março de 2016, em uma manhã de domingo fui até o centro histórico da minha cidade. Dei cinco voltas na mesma ladeira alternando corrida e caminhada para completar 5 km sem medalha, com todos os colegas de treino e alunos do mesmo professor tendo acabado há tempos e apenas sentados me esperando. Finalizei com quase 1h de duração. Sentei e pensei: “quero de novo”.

Olhando para a minha cara naquele instante é de imaginar que um ser suado, grudendo, tremendo de exaustão pedir por sofrimento semelhante novamente parece insano. Nenhum judeu refugiado pediu para voltar para a Alemanha Nazista. Eu pedi.

Pedi mais treino na rua. Inscrevi-me na primeira corrida de 5 km em julho do mesmo ano e ganhei minha primeira medalha. E foi incrível! E não foi a última do evento, mas uma das últimas.

Infelizmente o personal eu larguei mas até enche o olho de lágrima quando lembro dele. “Você vai amar correr na rua”, dizia o Arthur Lopes. É o cara. Ele sabia das coisas.

Saudades do personal? Como amigo sim. Como personal nunca! Odeio o tal do “hiit” e tudo o que vem nesse tipo de treino. Se pedir para que eu pule um hoje cone choro de ódio. Mas a gente já bebeu muito junto para rir desta fase da minha vida.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here