Estamos em um momento ímpar da história da humanidade. Quando pensávamos ter todas as doenças sob controle, eis que surge a COVID-19 para provocar a inteligência científica. E chegamos no Brasil a somar mais de 215 mil mortes com números grandes de óbitos dia após dia. Contudo, os treinos coletivos continuam.

Enquanto o mundo prega o isolamento social como uma das melhores formas de combater o contágio, os corredores continuam marcando treinos e eventos. Manaus está em chamas com crise de abastecimento de oxigênio e os relatos são de alas inteiras de hospitais indo a óbito. Roraima e Rondônia estão entrando em crises e novos leitos estão sendo reabertos. E os corredores? Continuam organizando eventos e treinos coletivos.

Seria esse o momento?

Nova variante do vírus chega ao Brasil

O coronavírus sofreu mutações e agora está mais forte. Não significa mais mortalidade, é um alto nível de contágio. Ou seja: com essa nova variante, ficou mais fácil as pessoas se contaminarem porque o vírus se tornou resistente. A nova versão do novo coronavírus já foi detectada em São Paulo em duas pessoas. E como sabemos diante dos fatos, foi com apenas uma pessoa que o vírus chegou em Recife e se propagou.

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O cenário não é dos melhores para o Brasil e, infelizmente, os corredores cansaram do isolamento social. Cansa mesmo ficar em casa treinando via Youtube, com planilhas enviadas por PDF ou conversando com o treinador por vídeo.

É cansativo, a gente sabe disso. Enche o saco mesmo! Contudo, por longos meses nos salvou do colapso do sistema de saúde porque não temos leitos suficientes se todos ficarem doentes ao mesmo tempo. Esse é o sentido do isolamento social.

Treinos coletivos acontecem… mas deveriam?

Os treinos coletivos significam unir pessoas em um mesmo espaço. Seria legal se todo mundo mantivesse o isolamento social, cortassem (ao menos por enquanto) os abraços e beijos. Selfs sim, mas que tal com máscara sempre? Se você parar para pensar, serão fotos históricas de momentos únicos na humanidade. Você está fazendo parte da história usando a sua máscara.

Os treinos em grupos continuam acontecendo. Às vezes cinco pessoas com máscara levando nota 10 no conceito de saúde pública. Entretanto, há aqueles grupinhos que fazem qualquer enfermeiro da linha de frente ou infectologista se arrepiar ao olhar as fotos. Grupos de 30, 40 e até 100 pessoas juntinhos em foto estilo time de futebol. E se abraçam, beijinho no rosto e compartilhando água… o coronavírus ama este tipo de cenário, viu? Ama mais do que o corredor que ama está ali.

A recomendação por enquanto da Organização Mundial de Saúde (já que o nosso ministério anda meio paradão) é de manter o isolamento social. Atividades individuais são permitidas e com os devidos cuidados de distanciamento. Não é assim que está acontecendo, não é mesmo?

A gente sabe: os grupos de corrida são a alma dos runners. São os alimentadores de felicidade, ajudantes de liberação de endorfina e estimulantes de treino. Contudo, uma pausa não é ruim, é apenas uma pausa. É como passar um tempo sem tomar refrigerante para perder uns quilos extras. É só um tempo e você pode continuar treinando em horários alternativos.

Que tal dar um tempinho?

No Papo Corrida dessa semana comentamos sobre o cenário das corridas de rua atuais. O que temos de novo? Cancelamentos, adiamentos e incertezas de quando teremos nossa Corrida das Pontes do Recife ou nossa Maratona das Praias com os kits já nas mãos dos corredores. Os organizadores precisaram parar de novo e o calendário de corrida do PE Running voltou ao grande vazio.

O motivo? Não nos comportamos bem durante os últimos meses e os casos de COVID-19 aumentaram drasticamente. Parece que, em oito meses, nada mudou e voltamos em abril de 2020.

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Então, faço o convite para a reflexão: não seria o momento de pausar os treinos coletivos ao menos por um tempo? Ao menos umas semanas, enquanto o novo decreto proibindo todos os eventos está em vigor? Ao menos até os números de mortos baixarem?

O corredor é um ser humano saudável, sabemos disso. Contudo, os grupos unidos estimulam outros agrupamentos sociais e, sem perceber, os assintomáticos levam o vírus adiante e ficamos presos nessa roda gigante de terror ao melhor estilo Caverna do Dragão. E eu não sei vocês, mas eu quero sair desse buraco negro que a humanidade está vivendo com ou sem a ajuda do Mestre dos Magos.

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